ERA UMA VEZ O CINEMA


Tristana, Uma Paixão Mórbida (1970)

cover Tristana, Uma Paixão Mórbida

link to Tristana, Uma Paixão Mórbida on IMDb

País: Espanha, 99 minutos

Título Original: Tristana

Diretor(s): Luis Buñuel

Gênero(s): Drama

Legendas: Português,Inglês, Espanhol

Tipo de Mídia: Cópia Digital

Tela: 16:9 Widescreen

Resolução: 1280 x 720, 1920 x 1080

Avaliação (IMDb):
star star star star star star star star star star
7.5/10 (9397 votos)

DOWNLOAD DO FILME E LEGENDA

PRÊMIOS star star star star star

Círculo dos Roteiristas de Cinema, Espanha

Prêmio de Melhor Filme

Prêmio de Melhor Direção (Luis Buñuel)

Prêmio de Melhor Ator (Fernando Rey)

Sindicato Nacional do Espetáculo, Espanha

Prêmio de Melhor Filme

Prêmio de Melhor Fotografia (José F. Aguayo)

Prêmio de Melhor Ator (Fernando Rey)

Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante (Lola Gaos)

Prêmios Sant Jordi de Barcelona

Prêmio de Melhor Filme Espanhol (Luis Buñuel)

Prêmio de Melhor Interpretação em Filme Espanhol (Fernando Rey)

Sinopse: Buñuel, distribui estocadas firmes na aristocracia, no autoritarismo e sim, novamente, na Igreja Católica. A história foca em Tristana (Catherine Deneuve), uma jovem órfã que é acolhida por Don Lope (Fernando Rey), um aristocrata comunista falido que vive de vender suas últimas possessões para não ter que trabalhar. Ele deixa muito claro que havia prometido à mãe da jovem que cuidaria dela como se fosse sua própria filha.

Não demora muito e Tristana de inocente passa a vítima, quando Don Lope avança sexualmente e passa a viver uma horrível vida dupla de pai e marido que ele mesmo se orgulha em afirmar para ela. Os únicos momentos de alívio para Tristana é quando ela sai clandestinamente para passear com a empregada Saturna (Lola Gaos) ou quando brinca com o filho surdo e mudo dela, Saturno (Jesús Fernández).

Com a passagem do tempo – que Buñuel faz com enorme sutileza – Tristana amadurece e começa a ganhar independência. Não demora e ela conhece o artista Horacio (Franco Nero) e os dois passam a ter um caso, que culmina com eles indo viver juntos longe de Toledo por dois anos. Tristana só retorna para debaixo das asas de Don Lope quando fica doente e tem que amputar uma perna.

E, por incrível que pareça, todos os acontecimentos acima, por mais duros que possam parecer, apenas estabelecem e preparam o terceiro ato, que é a silenciosa vingança de Tristana. De jovem inocente, para vítima, para amante e, finalmente, para anjo vingador. Com uma maquiagem que realça seus olhos, ela literalmente se transforma em um demônio e os papéis se invertem.

Se antes odiávamos Don Lope por tudo que ele fez com Tristana, Buñuel vira o jogo e faz dele a vítima e, graças ao fenomenal trabalho de Fernando Rey, nós realmente nos compadecemos por ele. E, incrivelmente, passamos a odiar Tristana. Sem uma perna, sempre carrancuda e com roupas escuras, seu ódio por tudo que deu errado em sua vida recai sobre Don Lope e Buñuel nos manipula de forma a temermos essa nova Tristana.

A capacidade de Buñuel de alterar vagarosamente sua narrativa ao mesmo tempo em que utiliza a religião, antes odiada pelo ateu Don Lope e, mais tarde, tolerada por ele, especialmente quando ele novamente enriquece e os padres querem gordas doações, é brilhante. Demoramos a entender exatamente o objetivo do diretor, especialmente quando ele nos dá uma vaga esperança de um final feliz, mas que nós sabemos que não virá.

Em toda sua carreira, Tristana talvez seja o filme mais atmosférico do diretor e provavelmente o que mais exige paciência do espectador. Não há pressa. Não há evoluções bruscas. A inversão de papeis – vítima em algoz e vice-versa – é uma das mais perfeitas do cinema e o espectador que souber apreciar esse difícil filme não sairá ileso da experiência.

 

Elenco: